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Atitude de mudança e participação dos estudantes: uma poderosa combinação

26 de agosto de 2017 Ouvir o texto

A motivação e a participação dos estudantes em aula e nas tarefas acadêmicas é um tema central para a comunidade educativa. Uma simples busca no Google sobre como melhorar a motivação dos estudantes em sala de aula retorna mais de sete milhões de resultados. Os professores e as equipes diretivas buscam continuamente maneiras de engajar os alunos na aprendizagem. No infográfico a seguir, Mia MacMeekin (2013) apresenta diferentes sugestões para ajudar os professores com ideias simples que podem melhorar a motivação dos alunos em aula:

QuadroMikePaul

O debate sobre a motivação do aluno frequentemente se circunscreve a uma discussão sobre atenção em aula. O verdadeiro compromisso e a motivação, no entanto, são mais profundos e complexos do que o fato do aluno estar simplesmente sentado e prestando atenção. O compromisso do estudante se define como (Reforma Educativa de 2016, EEUU):

_ A motivação do aluno se refere ao grau de atenção, curiosidade, interesse, otimismo e paixão que mostra quando está aprendendo ou sendo ensinado, o que se estende ao nível de motivação que tem para aprender e progredir em sua educação. Em termos gerais, o conceito de “participação estudantil” se baseia na crença de que o aprendizado melhora quando os estudantes são questionadores, mostram interesse ou estão inspirados, e a aprendizagem tende a sofrer quando se aborrecem, não mostram nenhum tipo de interesse e se apresentam descontentes ou desconectados. A participação dos estudantes ou a melhoria da participação dos estudantes são objetivos educativos comuns expressados pelos educadores.

– No lugar de debater como conseguir que os estudantes prestem atenção em classe, se deveria ensinar aos estudantes uma mentalidade de crescimento para engajá-los completamente na aprendizagem. Por meio de uma mentalidade de crescimento, o estudante pode ser empoderado, de modo a cuidar de sua própria aprendizagem e trabalhar para alcançar o êxito.

Uma atitude de mudança

Qualquer debate sobre como desenvolver uma atitude de mudança deve começar com uma definição e uma compreensão do conceito. Segundo Carol Dweck, a mentalidade de crescimento implica ensinar aos estudantes que todo mundo nasce com a motivação de aprender. Dweck argumenta que existem dois tipos de atitudes que se nota nas escolas, uma atitude rígida e outra de crescimento:

1. Os estudantes com uma atitude rígida que tendem a crer que seu nível de inteligência e rendimento não pode mudar.

2. Os estudantes que conseguem adquirir uma atitude de mudança e consideram a inteligência e o rendimento como algo que se pode ampliar por meio do trabalho. Esta atitude se baseia na crença pessoal de que qualquer pessoa tem o potencial para aprender e dominar qualquer assunto (Dweck, 2015).

A atitude de mudança como compromisso dos alunos

Se os estudantes acreditam que podem aprender qualquer tema e não têm medo de falhar, podem mergulhar no conteúdo de uma lição, sempre e quando a lição permitir que eles tomem o controle de sua aprendizagem. Maxwell, Stoubagh e Tassel (2015) destacam a necessidade de elaborar um projeto, ou uma lição, que estimule os estudantes, individualmente, a “encontrar a centelha” (2015, p. 61). Para que os estudantes se comprometam verdadeiramente, e ponham em prática uma atitude de mudança, devem participar do próprio processo de aprendizagem.

No Programa Create Framework, Specializing (Maxwell e outros, 2015), os estudantes se concentram em questões para as quais eles mesmos desejam encontrar respostas por meio de projetos baseados em pesquisa. Estas lições não são dirigidas ou construídas por um professor. O professor se converte em orientador ou facilitador da aprendizagem. Este tipo de aprendizagem se aproxima do desenvolvimento de uma atitude de mudança na medida em que os estudantes estão mais comprometidos e sentem uma curiosidade maior sobre o tema que estão trabalhando.

No Programa de Prensky Partnering, os estudantes se convertem em facilitadores de sua própria aprendizagem, trabalhando com o professor para identificar temas reais e relevantes que querem aprender; e o professor desenvolve lições que permitem que o estudante adquira o conteúdo em questão. Essas habilidades serão comprovadas no fim do ano letivo (Wilson, 2014). Ken Robinson (2010) afirma que tudo o que realmente estamos fazendo com nosso sistema educativo hoje é criar um espaço moroso para as crianças, quando o que deveríamos fazer seria despertar seu gênio. Essas ideias se aproximam do conceito de mentalidade de crescimento e permitem que os estudantes tomem o controle de sua aprendizagem.

No Projeto “Hole in the Wall” (Mitra, 2010), os estudantes comprometidos aprendem novos conceitos sem a ajuda direta de um professor, com resultados surpreendentes. Está claro que uma das maneiras de melhorar o compromisso dos estudantes em classe se dá a partir do ensino de uma atitude de mudança e crescimento.

Como inserir a atitude de mudança na aula

A teoria sobre o que é e como fomentar uma atitude de mudança é simples. No entanto, promovê-la e desenvolvê-la em aula é outra questão. Edutopia (2016) oferece uma lista de 23 recursos para o ensino deste tipo de mentalidade de crescimento em aula, que professores podem utilizar para inserir o conceito de atitude de mudança. Como professor de matemática, introduzi a mentalidade de crescimento em minhas aulas por meio de uma técnica intitulada “Mi no favorito” (Blad, 2016):

  • Os alunos são confrontados com um problema e têm que resolvê-lo em uma folha de papel.
  • Quando terminam o trabalho, reviso, respondo, escolho um que não está correto, mas mostro vários processos corretos.
  • Em classe, analisamos o que este estudante pode ter feito para chegar a uma resposta incorreta e como o problema poderia ter sido resolvido.
  • Os nomes dos alunos não são comentados durante o processo.

Esse exercício permite que os alunos analisem o trabalho de outras pessoas e verifiquem erros que eles mesmo cometeram. Esse processo mostra aos estudates que eles podem aprender, mesmo que estejam lutando com um conceito, e que o fracasso é, sem dúvida, uma possibilidade, mas eles não precisam ter medo.

Outra maneira de ensinar uma atitude de mudança é a “luta produtiva” (Cowen, 2016). Utilizo essa estratégia quando os alunos trabalham um problema, ou conjunto de problemas, no começo da aula. Uma vez feito isso, vários alunos compartilham suas estratégias para resolver o problema sem que eu diga qual é a maneira correta. Como uma classe, com os colegas, ou em um pequeno grupo, eles analisam as respostas e buscam entender como os estudantes chegaram até aqueles resultados.

Esse processo é parecido com o “Mi no favorito”, porém os estudantes estão liderando a discussão, enquanto trabalham para encontrar a resposta certa por meio de soluções variadas. Em matemática existe, muitas vezes, mais de uma solução para um problema e incentivar o aluno a encontrar o caminho que funciona para ele é ensinar a mentalidade de crescimento.

Conceito de Prensky de associação e participação estudantil

O conceito de associação de Prensky permite que os alunos encontrem respostas por conta própria e depois compartilhem essas respostas com seus colegas (Wilson, 2014). À medida que os alunos têm um maior controle sobre sua aprendizagem, o professor se converte em um facilitador dessa aprendizagem e proporciona um ambiente em que os alunos podem acessar recursos ou pedir apoio durante o processo.

Sugatra Mitra discute o conceito de um sistema de organização pessoal e como o trabalho que ele fez com o projeto “Hole in the wall” permitiu que os estudantes se tornassem tutores e professores de sua própria aprendizagem, um ótimo exemplo do conceito de associação de Prensky (Mita, 2010).

Mike Paul é professor de matemática, na escola Bardstown Middle School. Foi certificado pelo Google como um “Innovador Educativo” e é o criador do blog Pikemalltech , considerado um dos blogs educativos mais relevantes pelo site Teach.com.

 

Entrevista publicada originalmente no site Eduforics

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